domingo, 30 de dezembro de 2007

"Fazer muito com o pouco que tens"

Pessoal, só no nosso grupo temos cerca de 4 guitarristas (Balbino, Chincha, Tony e V. Gama - como queria ser o primeiro à força toda, a única maneira que arranjei para pôr o meu nome antes dos vossos, foi escrever por ordem alfabética. Podem tocar mais que eu, mas no dicionário não é isso que "já estava escriiiiiitoooo"), fora o pessoal que, como o nosso caro Ein Grosser Deutscher Ritter (santinho!) dá uns toques. Mas isto serve para todos - não apenas para os pontos cor-de-rosa no palco ("gaytarristas" - clássica, esta).
Quem é que nunca começou a tocar um instrumento, ou a manuseá-lo e sentiu dificuldades? O objecto podia ser estranho e as culpas geralmente iam para "a faca é muito grande para os meus dedos - se assim fosse, o Hitchcock jamais teria feito o Psycho" ou "acho que o tubo desta flauta está entupido". Então, se vissemos alguém com um instrumento melhor do que nosso, aí é que pensávamos mesmo que o nosso objecto não era tão bom: "vê como ele toca aquela flauta! Assim também eu". Infelizmente, eu caí no erro de emprestar a guitarra a alguns amigos meus e vi pela primeira vez, a minha guitarra a cantar sons simplesmente belos... Sons iguais às versões originais da música, sons que eu nunca tinha visto ao vivo. E, no entanto, estava ali, a minha guitarra... Foi aí que aprendi que não é o instrumento, mas sim o instrumentador.
Um professor meu um dia disse-me: "Fazer muito com o pouco que tens". E é impressionante como vim a descobrir que isto se aplica a tudo na vida! (até para o sexo, caro V. Gama... assim, poupas o dinheiro da operação de que estávamos a falar no outro dia)

Já para não falar que o Jimi Hendrix, para além de tocar God-Knows-How guitarra, ele ainda lhe dava com ela nas costas e fez solos com os dentes. Há até quem diga que ele tocava com o braço da guitarra do lado direito, como se tivesse a tocar em espelho(eles inventam cada uma...). Aqueles que pensam que têm os dedos muito grandes, principalmente para tocar guitarra, vejam este video e apreciem o talento do havaiano Israel Kamakawiwo'Ole!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Björk

Hoje acordei a ouvir Björk e decidi investigar um pouco sobre esta obra da Natureza.
A Björk é da idade dos nossos pais, fez 42 anos, no último dia 21 de Novembro. Como todos sabemos, nasceu na Islândia (aquela grande ilha que faz parte do território da Dinamarca). Começou com aulas de piano aos 11 anos e no ano seguinte lançou um CD a solo, com ajuda do padrasto, apenas na Islândia e conseguiu o disco de platina.
Na adolescência teve participações nas bandas Spit and Snot, Exudos, Jam-80, Tappi Tíkarrass, KUKL, The Elgar Sisters. Aos 19 anos foi mãe, mas não abandonou as estradas (isto até parece mal)... não abandonou as viagens com o grupo dela. Já com um filhinho, em ’86 começou com a banda que lhe daria a projecção para depois se lançar na carreira a solo – The Sugarcubes (1986 – 1992).
Lançado em Junho de 1993, num estilo pop quase igual ao que a banda The Sugarcubes produzia a mistura do jazz, funk, acid dance, offbeat. Singles como o "Humam Behaviour" alcançaram o 3 lugar do top Inglês. Aqueles que continuarem a pesquisar sobre a Björk encontraram facilmente o nome Nellee Hooper, já que é com quem a Björk produz os seus discos, desde que começou a solo, em ’93 – tal como Brian Epstein, o eterno manager dos Beatles, considerado o 5º elemento do grupo.

Como não podia deixar de ser, ganhou “alguns” prémios: 12 Grammys, 4 prémios BRIT, um prémio MOJO, e um de MELHOR ACTRIZ no Festival de Cannes. Tudo isto na sua carreira a solo, e sem mencionar aquilo para que ela foi nomeada (porque nem sempre vencemos).

Em 2006, foi considerada numa revista BBC a personalidade mais excêntrica do Mundo (gostava de saber como é que eles medem isso).
É aclamada pelo seu experimentalismo musical. As suas referências são desde a música clássica até à electrónica mais extrema.
Achei curiosa a crítica de Maddy Costa, do jornal inglês The Gardian, ao ver o espectáculo da Björk na Chapel Union, em Londres. A senhora diz que deitou lágrimas logo que a Björk começou a cantar. Apesar de te ter sido um concerto acústico (poucos microfones à volta para amplificar um pouco a voz da cantora), sentia-se a voz da Björk com grande emoção. Descreveu os sons dela como “indescritível” (agora tive piada) e disse que punha todas as sopranos clássicas num plano “revoltantemente sem sabor”. Na minha modesta opinião, a senhora Maddy Costa é uma lady muito sensível e, claramente, nunca ouviu FADO!

Há quem diga que os cientistas descobriram que a Björk consegue alcançar agudos que eram desconhecidos como “ao alcance do ser Humano”. No entanto, nesta minha pequena pesquisa, não consegui encontrar nada de confirmasse o que acabo de dizer. De qualquer das formas, ela é uma vocalista espectacular.

Aqui vai o Humam Behaviour, como tudo começou.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Não há condições!

Eu não faço post nenhum

Enquanto o nosso caríssimo administrador

não mudar a cor deste blog

e enquanto não substituir a ridícula banda sonora imposta neste espaço recreativo!

Tenho dito


(um bocado paradoxal...)

Só porque o Balbino insistiu...

Estamos no fim de mais um ano e de olhos postos no que está para vir, e como é costume (pelo menos comigo) as conversas entre amigos vão quase sempre parar às coisas que fizemos durante o ano que está a acabar.


Ontem, num desses momentos de ligeira nostalgia, um antigo colega de turma, que alinhava sempre comigo quando era para destabilizar o curso normal das aulas (que acabou por se tornar constante, chegando certos professores a suplicar-nos para sairmos da sala que sem sequer nos marcarem faltas), lembrou-me dos belos tempos em que eu conseguia passar (sem exagero) uns 15, 20 minutos a chamar a professora de Biologia para depois não lhe dizer absolutamente nada.

Um dos melhores momentos:


"Stora! Stora! Stora! Strora São! Stora São! Stora São! Stora Soeiro! Stora Soeiro! Stora Soeiro!..." (continuava...)
"Ai, Alexandra! Cala-te!! O que é que tu queres??"

(Silêncio da minha parte, enquanto olhava para a mulher, extremamente divertida.)

"Ai, agora não dizes nada??"
"A stora mandou-me calar e depois pergunta-me o que é que eu quero.. Mas para responder tenho que falar, certo? Fiquei confusa..."

(Toda a turma olhava para a Alexandra e para o André que riam à gargalhada, Alexandra chegava mesmo a entrar em apneia de tanto rir, uns riam-se também, outros, interessados na aula, olhavam-nos com olhos de censura, e a pobre da professora limitava-se a cobrir o rosto com as duas mãos enquanto dizia qualquer coisa que nunca cheguei a perceber. Devia estar a rogar-me uma praga qualquer.)


Mas isto porquê? Porque venero Family Guy! :D
Heis a fonte de inspiração para tão estúpidos momentos (só começa ao segundo 10, paciência!):




Belos tempos!! : )


P.S.: Tentei arranjar um video que fosse só mesmo o excerto do Family Guy, mas só conseguia disso com os gajos a falar Árabe. Tinha a sua piada. Para os interessados, aqui fica o link.

P.S.2: Feliz 2008!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

Arrumar o Quarto

Mas quem é que gosta de arrumar o quarto? Eu podia fazer aqui uma lista das coisas que tenho aqui fora do lugar, mas infelizmente tenho 19 anos e já não vou a tempo - devia ter começado aos 13. De qualquer das formas, arrumar o quarto não dá trabalho. Eu tenho noção que se bebesse um Redbull arrumava isto em meia-hora.

Mas meia-hora... isso é o tempo que eu demoro no duche, isso é o tempo que eu demoro a comer, é o tempo que eu demoro a decidir-me entre dois CDs... às vezes até é o tempo que eu demoro a fazer um post, ler e perceber outros. Meia-hora, se for bem aproveitada, dá para muita coisa. Decerto que não será para arrumar o quarto, pelo menos agora. Devo confessar que sou preguiçoso, mas isso faz de mim uma pessoa extremamente criativa e inteligente (oh yeah!). Mas agora a sério, por não fazer nada, pelo menos fico aqui a meditar em outras alternativas.



Um dia tive uma ideia fulminante:

Como tenho espaço no guarda-fato, porque é que é não dou casa e comer a um mendigo, ficando ele responsável por arrumar o meu quarto? Não passa frio, fome, ouve boa música, aprende uns toques de guitarra e até podia vir ao msn e ao Ring Ring Ring quando eu fosse à escola. E se ele deixasse a barba comprida, até lhe podia arranjar um emprego à noite, agora no Natal. Ele podia ser um Pai Natal freelancer. Recibos verdes, segurança social... fazia dele um cidadão!



Resolvi pôr o meu projecto em práctica: fui à janela (ir à rua dá trabalho e eu sou é um pensador) e gritei a um mendigo que passava. Disse-lhe para subir. Ele pediu para abrir a porta, mas eu atirei-lhe a chave, para ele entrar (Sim, a porta fica um bocado longe e as minhas pernas foram feitas para a depilação, apenas). Ele veio cá ter ao quarto. Expliquei-lhe o que queria dele, fiz um mapa da casa no paint explicando-lhe aonde era a casa-de-banho, cozinha (adivinhem porque é que eu não me levantei para lhe mostrar a casa... Pois aí está!). Ele concordou com o plano, foi ao banho e depois foi comer.

Nos primeiros dias, tudo pareceu correr bem! Ele não conhecia Prodigy, mas eu mostrei-lhe e ele já estava a curtir o som. (O Video Clip favorito dele era o Smack My Bitch Up, diz que lhe faz lembrar os tempos do cavalo) Ensinei-o a ler e adorava recitar grandes figuras do nosso país, as nossas verdadeiras referências. (A preferida dele era "Estivémos à beira do precipício, mas demos um passo em frente", desse eterno jogador do F.C.Porto, João Pinto) No que tocava a teatro, também adorava imitar personagens de televisão, particularmente do Gato Fedorento - passou uma semana a tentar vender-me Kunami fresquinho. Como vêem, eu tinha criado um cidadão culto e trabalhador, o prototipo deste Portugal!

Tudo estava bem até ontem! Ontem foi o dia do nosso Carol Concert, na All Saint's Church. Estávamos lá todos da área de teatro da Worcester School of Technology, o National Diploma, O primeiro ano, o segundo e, claro, nós, o HNC. As ausências foram automaticamente esquecidas, pois a Igreja estava a abarrotar de Ingleses, felizes, celebrando o Natal (que bonito). Como estamos em tempos de festa, resolvi oferecer esta visita de estudo ao meu arrumador de quarto privado, para ele ver como nós (eu) cantamos tão bem. Lá cantamos e ele gostou imenso, podia ver-se pela cara dele. Gostou tanto que, no final, não quis vir comigo. Diz que descobriu Deus e que vai para Padre. Eu fiquei estupefacto, mas disse-lhe que cada um tinha de seguir aquilo que achava melhor. À saída da Igreja, o senhor Padre pediu-me uma moedinha para os pobrezinhos.



Foi aí que eu percebi: nada na vida do mendigo havia mudado. Como diriam os Digimons, ele apenas havia "Digivoluido".